Rio Grande que te quero menor, que te quero melhor!

•fevereiro 4, 2012 • 3 Comentários

Meu Rio Grande do Sul!Quanto mais eu caminho pelo nosso País, mais eu gosto, mais admiro e mais me interesso! Muita mistura, muita diversidade cultural, muitos sotaques. Quanto mais fui descobrindo o Brasil, mais fui buscando informações até que cheguei ao “o Povo Brasileiro”, obra que deveria ser preconizada pelas escolas e faculdades do Brasil. Até Darcy Ribeiro escrever este livro não tínhamos nenhuma teoria completa sobre a formação do nosso povo (tínhamos bons livros que retratavam regiões específicas, a cana de açucar o Pau Brasil, mas nenhum livro sobre a formação dos brasileiros em geral). Um bom ponto de partida para entender quem somos e de onde viemos.

Quanto mais conheço quem é o brasileiro, mais eu valorizo a riqueza da nossa diversidade e quanto mais eu valorizo as diferenças mais eu questiono ambientes e hábitos etnocêntricos pois estes limitam, atrofiam e segregam.

Para quem não conhece o escritor  Sérgio Faraco ou “o gaúcho Sérgio Faraco” como diria a Zero Hora, recomendo um livro deste alegretense chamado Lágrimas na Chuva. Em um dos trechos do livro, Faraco diz que uma viagem só começa quando retornamos ao ponto de partida. Pois bem, conheci mais o meu Rio Grande quando passei quase uma década fora dos pagos, entre Austrália, Santa Catarina e o Rio de Janeiro. Certamente tenho orgulho das nossas tradições, respeito à nossa cultura, saudade da São Borja missioneira onde passei a infância e reconheço que fizemos muito pelo Brasil. Mas também tenho vergonha. Vergonha de um Estado fechado, com muita opinião emitida de uma a outra pessoa, como se fosse o efeito de um ‘retweet’, sem que parem, olhem e questionem para onde está indo o nosso Rio Grande. Pré-conceitos, pré-julgamentos, sem olhar ‘por cima do muro’, ou melhor, acima do Mampituba…

Agora estou de volta, na terra do etnocentrismo, e me dei conta de que paramos no tempo. Estamos cada vez mais fechados, quase fanáticos, achando que realmente tudo acontece a partir daqui e se vangloriando de dados estatísticos que ainda colhemos hoje de sementes que foram semeadas lá atrás… e hoje, sofre os efeitos da seca do El Niño da ignorância.

O que estamos plantando hoje? Continuo escutando pessoas falando do nordeste com deboche, com desprezo. Absolutamente desinformadas, na onda do retweet da estupidez. Li um discurso de Brizola, de  1961, quando comparava a metade sul do Rio Grande do Sul (sim, a “terra da produção” e dos “estancieiros a frente do seu tempo”) com o sertão nordestino. Comparava matérias como o nível de emprego, nível  e distribuição de renda e diversos fatores sócio-econômicos… 1961 ficou para trás. O nordeste avançou. O sertão produz e exporta frutas, logística para escoar produção, Sobral-CE com WiFi gratuíto para população e a Metade Sul? Tirando Rio Grande que está encostado no Super Porto, continua achando que é “a terra da produção” e com seus “estancieiros a frente do seu tempo”… Continua comparável ao nordeste, com uma diferença, o nordeste de antigamente!

Ontem estava voltando de Manaus e li em uma revista de bordo uma reportagem com o filósofo Cortella, que tive a oportunidade de conhecer no Rio de Janeiro e, lá pelas tantas, ele fala na entrevista: “Uma pessoa grande, sabe que é pequena pois assim ainda há pista para crescer…” Isso não vale apenas para pessoas mas também vale para um Estado, uma Nação. Rio Grande, se somos grande realmente, vamos entender que somos menor do que aquilo que achamos (ou que a opinião publicada acha) que somos e vamos crescer!!!

 

 

Cadê a salada tradicional?

•julho 24, 2010 • Deixe um comentário

Uma das melhores casas de grelhados do Rio de Janeiro é, sem dúvida, o Esplanada Grill.

Com quase vinte anos de existência esta tradicional casa de Ipanema na esquina da Aníbal com a Barão da Torre continua servindo uma carne de primeira e um couvert quase perfeito. Quase por que nos últimos dias nossos amigos colocaram os pés pelas mãos… procuraram reduzir custos para aumentar a margem!?  Aumentar a margem? Um almoço com um bom vinho lá não sai por menos de R$ 150,00 por pessoa…

O que os caras fizeram? conseguiram piorar MUITO uma das boas coisas que acompanhavam o couvert: uma salada de folhas verdes, tomate e palmito, regada por um ótimo molho de mostarda…

Almoçamos lá no meio desta semana e para nossa surpresa a salada estava sem o palmito e o molho de mostarda estava sendo servido separadamente… A salada ficou muito pior e o preço do couvert seguiu o mesmo: bem salgado!

Ora Jorge, produtos e serviços devem ser melhorados e não o contrário! Dá teu jeito aí e volta com a clássica salada!!!

O ultimo pedaco!

•maio 30, 2010 • 1 Comentário

(to em um notebook que nao consigo configurar o acento…)

Sempre fico pensando na energia que o ser humano produz com certa facilidade. Quer ver alguns exemplos?

Pense na energia acumulada no silencio que precede o esporro… Pare pra pensar! Eh uma fracao de segundos carregada de muita energia: raiva, angustia, nervosismo, desabafo com uma pitada de insanidade e… pronto! A merda ta feita! O esporro explode! E assim caminha a humanidade… Um esporro pode ser o estopim (ou a gota d’agua?) de um proximo capitulo…

Mas existem outras formas de energia que produzimos no dia a dia sem nos darmos conta e nao eh necessariamente negativa como a do silencio antes do esporro: Eh a energia em torno do “ultimo pedaco”! Eh impressionante como coisas acontecem em torno do ultimo pedaco.

Eh sempre a mesma situacao. Repare na proxima conversa com seus amigos em uma mesa de bar ou na mesa do seu restaurante favorito. Rola aquela ambientacao, o garcom vem fazer os pedidos preliminares:

– Bebidas?

– E de entrada, aceitam a especialidade da casa?

E entao rola aquela entrada deliciosa, todo mundo olhando para o prato no centro da mesa… cheiro bom, gosto otimo e um papo excelente quando… a porcao comeca a terminar! Mesmo fingindo ou ateh acreditando que a atmosfera continua a mesma, certamente ela nao eh a mesma!!!

Eis que surge o ULTIMO PEDACO! E, em sua volta, muita energia! Repare como ele eh o pedaco que mais tempo leva a ser consumido (quando isto ocorre, por que muitas vezes ele volta para a cozinha, para a sorte do garcom!) Mas antes deste consumo, analise a galera a sua volta. Uns fingem que nao estao reparando no prato central, outros ficam de olho no penultimo pedaco que esta sendo consumido pela amiga que esta sentada na ponta da mesa… a garganta seca! Mais um gole de vinho! Muda o assunto, mas o foco esta logo ali, no centro da mesa!

Aqueles com mais atitude, rompem a cerimonia em torno do ultimo pedaco… mas assim mesmo sempre rola alguma conversa sobre ele, o ulimo pedaco! Alguns falam que eh educacao, entao a pergunta surge:

– Alguem quer o ultimo pedaco? (Eh a tipica pergunta escrota, por que ela sempre eh feita por quem mais quer o ultimo pedaco. Mais do que isso, o cara pergunta torcendo para que todos da mesa digam nao e engana sua consciencia dizendo-a que vez aquilo por educacao). O que importa eh que sempre rola um silencio que precede o ulimo pedaco e com ele, muita energia!

Se coloquem no lugar do ultimo pedaco, com a capacidade de ler a cabeca de todos na mesa… Eh uma baita disputa por ele, um monte de energia em torno dele…

Tem ateh maluco que gasta cinco minutos para escrever sobre o ultimo pedaco!

entre as letras e o vento, prefiro o vento

•abril 18, 2010 • 1 Comentário

Alguns amigos falaram para eu escrever mais, mas descobri que entre as letras e o vento, prefiro o vento.

Sempre gostei de escrever. E continuo gostando, mas para escrever algo bacana é preciso tempo. Tá bom, faz um tempo que eu não escrevo… mas não é este tempo que me refiro. É outro tempo, é um tempo de cada um de nós, quando a gente pára e olha pra dentro, aí sim a gente pensa, sente e cria… E isto só acontece quando o vento pára.

Por que quando o vento sopra é sinal que estamos olhando, vivendo, experimentando… quando ele pára é a hora certa. Tem gente que escreve (ou faz de conta que escreve, que nem eu), tem gente que toca, canta, pinta, cria, inventa enfim, tem muito jeito diferente para aprender a lidar com a atmosfera parada e é aí que de verdade aprendemos.

Mas neste momento as folhas das árvores balançam, é hora de aproveitar o que o vento oferece! Mas entre uma letra e outra, vou formando palavras básicas para dizer que neste tempo em que estou sem escrever, mudanças estão acontecendo: profissionais, viagens, livros…

Falando em livro, para quem gosta de política e dá uma arranhada no inglês, sugiro o livro “Prisioner of the State”. Estou terminando de ler este livro e é bem interessante. Imaginem espiar atrás das cortinas da política chinesa? Este livro apresenta relatos do premier chinês  Zhao Ziyang que tentou levar uma visão de liberdade (ou uma visão mais liberal) à nação chinesa durante os protestos de estudantes na China em 1989 e sofreu consequências pesadas. Trata de temas como a força do partido chinês, os bastidores da política, o jogo sujo e como lidar (lidar ou sobreviver) com este ambiente.  

Prisoner of the State: The Secret Journal of Premier Zhao Ziyang

Pré sal, nossa maior energia tem que ser o conhecimento!

•março 29, 2010 • 1 Comentário

Este é um dos assuntos mais importantes do Brasil e, mais uma vez, está sendo tratado como ferramenta de manobra política em vez de ser colocado em alguma agenda estratégica nacional para as próximas décadas. Por sinal, que agenda estratégica? O sistema político que já estava parado, anestesiado com escândalos e mensalões agora pára de vez com as eleições 2010. 

As regras do pré sal ainda não estão definidas e considero fundamental que nossos representantes tratem com seriedade este tema, se realmente querem ver o Brasil como uma potência mundial.

 Os recursos oriundos dos royalties do petróleo já foram destinados por lei à produção de energia elétrica, à pavimentação de rodovias e ao saneamento, entre outras determinações. Mas, desde 1997, com a sanção da chamada Lei do Petróleo, deixou de haver determinação legal sobre onde os recursos deveriam ser aplicados. As aplicações dos royalties ficaram “ao sabor do uso discricionário dos gestores”.

 O valor total dos royalties subiu 40 vezes nos últimos dez anos, chegando, em alguns municípios, a superar as transferências constitucionais e legais. Para onde estão indo esses recursos, não renováveis, se não é possível perceber quaisquer benefícios às comunidades às quais deveriam servir?

 Existe um projeto de lei do senador Cristóvam Buarque  que visa garantir que os recursos passem a ser atrelados a ações na área de educação de base e ciência e tecnologia, “conferindo uma aplicação mais nobre” aos royalties do petróleo.

 Tá mais do que na hora do nosso País investir em educação. Afinal, não existe energia maior do que o conhecimento de uma nação!

O Rabo de Galo e a Diversidade

•março 6, 2010 • 1 Comentário

A velha (e em algumas empresas nova) palavra de ordem no universo corporativo é inovar para se diferenciar. Não é preciso muito estudo para descobrir que as inovações nascem de novas idéias que são estimuladas por outras e outras até que alguém tenha um baita insight… É um processo meio Lavoisier…

Um belo dia um executivo “brilhante” questionou: como gerar mais idéias? E veio outra resposta óbvia: as idéias vem das pessoas (uau!) e quanto mais pessoas diferentes, mais idéias diferentes (que baita descoberta!)…  Sensacional! Basta alguém ir tomar um rabo de galo em um pé sujo qualquer, puxar este assunto com um colega de balcão, que a resposta virá, afinal de contas, é óbvia!

Mas em geral a alta administração das empresas entende que dificilmente haverá uma boa solução se esta não vier de um gênio do mundo corporativo: alguém que estudou em Harvard, pós doutorado pelo MIT , com fluência em cinco linguas (se souber mandarim então… este é o cara!) e,  como também é  “exigência” das grandes empresas de hoje, de preferência que este cara seja uma ‘Liderança reconhecida’… Bom, aí eu lembro do Nelson Rodrigues que dizia que “os gênios da humanidade são os profetas do óbvio”! De fato, isto vale muito no universo corporativo. Contratam por alguns mil dólares uma palestra de um indiano formado nas melhores faculdades mundiais, que atravessa o mundo para falar com o board das empresas e fala o óbvio… Se este gênio então der um exemplo do cara que estava em um bar em Bombaim tomando um “rabo de galo”, esta vai ser a nova onda do ano, livros serão publicados, revistas serão compradas e uma nova moda corporativa será adotada por milhares de empresas do mundo… Sai a “cauda longa” das prateleiras para entrar o “rabo de galo”…

Depois do indiano gênio, o guru dos gurus, a sensação do momento, falar que é necessário novas idéias para ter inovação, começam os planos de ação… Cada diretoria sai com a incumbência de inovar: inovar para reduzir custos, para lançar novos produtos, para criar novos desejos aos consumidores (e aqui já dou uma dica para os novos gurus que surgirão:  o cara do balcão do boteco onde eu estava bebendo o rabo de galo me falou que enquanto as empresas falarem das pessoas como consumidores pouca coisa vai adiantar… pessoas são pessoas!. É… acho que o cara daqui a pouco ensina outro indiano por aí…e novos livros encabeçarão a lista dos mais vendidos).

Todos com seus planos prontos! Mãos a obra! Êpa, peraí… mas como vamos fazer tanta inovação se as pessoas são as mesmas? Ah, vamos criar uma porrada de planos de incentivos, atrelar a salários variáveis, bônus, participação nos resultados… Muitas empresas fizeram isto e descobriram o que o cara do boteco já tinha sinalizado a muito tempo: inovar é pensar diferente. Pensar diferente é ter pessoas diferentes pensando sobre um mesmo assunto… Caraca, tive uma idéia!!!! Vamos promover a diversidade!!!

Então chegou a diversidade nas áreas de recursos humanos de 10 entre 10 empresas… Algumas empresas pensam que atender as cotas (de negros,  deficientes e minorias) impostas pelo Ministério do Trabalho e a legislação brasileira irá atender… outras nem isso. Pouquíssimas entenderam o que é de fato a diversidade. Mas todas envelopam isto internamente com muita letra maiúscula e muita cor nas oportunidades de comunicação interna.

Tem empresas em que a maioria dos produtos são destinados a classe C. Telefonia celular: mais de 80% dos telefones são pré pagos. Xampus:  o grande volume de xampus vendidos são para as classes C… E quem são as empresas líderes deste segmento (pelo menos por enquanto)? Grandes multinacionais. E quem são os profissionais destas empresas? Jovens, que estudaram nas melhores escolas, falam 3 línguas, tiveram experiências internacionais… são o cão chupando manga… Mas todos estes cães vieram do mesmo canil. Do melhor colégio da cidade, da melhor universidade, frequentam os mesmos clubes,  mesmos locais, vivem a mesma vida…

E a diversidade?

“Me vê outro rabo de galo por favor!”

Aécio cresce

•março 4, 2010 • Deixe um comentário

A cada nova pesquisa divulgada pelos institutos, diminui o gap entre Dilma e Serra, crescendo  a importância do  governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

Aécio segue na mesma estratégia e volta a dizer que não pretende ser vice de José Serra disputa ao Planalto. “Não adianta empurrar, empurrado eu não vou”, disse ele hoje no final do dia.  O tucano tem reinterado essa posição desde 2009.

Então por que Aécio cresce? Cresce por que o PSDB e o próprio Governador de São Paulo começam a perceber que a candidatura de Serra não terá força suficiente para fazer frente à candidatura da Dilma (ou “da Lula” como diz  Elio Gaspari).  Serra largou na frente e hoje a Dilma já está bastante próxima nas pesquisas de intenção de votos.

Creio que o “mineirinho carioca” vai esperar o momento certo. Quando Dilma encostar (ou ultrapassar Serra) ele saberá que estará com a faca e o queijo na mão e ele não será mais “empurrado” a lançar sua candidatura a vice de Serra, como manifestou hoje, mas será puxado por Serra e toda a executiva do PSDB.

Cresce o poder de Aécio, que está aguardando o momento certo para negociar com mais força a sua candidatura…